segunda-feira
O gato degolado
Um gato sente uma liberdade diferente:sua cabeça se separa do tronco. Umas sensações neurais estranhas, pela não conexão do cérebro com o corpo e o sangue em fluxo não habitual. Agora vive em primeira e terceira pessoa ao mesmo tempo. Para se mover, a cabeça precisa se agarrar ao corpo, e, para a lógica, a não lógica e prazeres subjetivos , o corpo precisa da cabeça. Quando o corpo resolveu ser independente, sucumbiu, pois os prazeres próprios eram sempre efemêros e desgastantes e a sobrevivência passou a não ter mais sentido e motivo. Já a cabeça independente até durou mais, mas pensou que por pensar muito e ter chegado a verdades cruéis do mundo e vendo o corpo em delírios podres e irracionais mas parecendo tão alegre, viu que sua obra talvez fosse inútil, e experimentou o anulamento.
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